Parar no sinal amarelo: prestar atenção

Por: “ Thátyla Lourenço“ São tempos de aceleração, Quanto mais rápido melhor. O prestar atenção se tornou escasso, Os encontros são rápidos, As despedidas também. Mas é preciso lutar contra a correria, Aproveitar os dias, A companhia da família, Dos amigos, Do amor. Compreender o pôr do sol como um lembrete, Ele descansa e eu também posso. Parar no sinal amarelo, Prestar atenção, Descansar, Aproveitar, … Continuar lendo Parar no sinal amarelo: prestar atenção

O des(canto) do (sonh)ar

por Azevedo Netto De tanto beber da realidade, nos embriagamos com a dor. De tanto sofrer por realidade, nos afligimos sem pudor. De tanto lutar por algo, naufragamos sem rumor. De tanto sofrermos por sonhos, saciamos com o amor. Um amor tão passageiro que escorre pelas mãos. Como os ventos envaidecidos que vislumbram o horizonte da imensidão. E assim, eis que surge a sina, e … Continuar lendo O des(canto) do (sonh)ar

Sonhador

Antes de dormir, sempre sonhei.Às vezes, forçado pela televisão.Às vezes, instigado pela necessidade.Sonhei, para fugir do medo. Sonhar, me possibilitou viver.Sonhar, me fez melhor em alguns segundos.Sonhar, me transcede.É o rémedio para a vida amarga. Sonhar, é traçar metas.Gás que ativa o levantar.Sonhar, é ir além do limite.Sonhar, é o advento para o realizar. Continuar lendo Sonhador

FORA

Quando por um acaso de mim lembrarNo porta-retrato eu vou estarNum papel amassado pela mão que me teveTantos outros quadros pendurados na parede Teria sido poético, teria sido simSe meu eu cético não fosse assimE aí tu me encontrariaNaquela esquina da padariaQue eu costumava Caetano escutar Fora cor, fora eu, fora nósNo sussurro da vozFora não, fora sim, fora inverno verãoAqui dentro de mim O … Continuar lendo FORA

Quando eu me for

Á Joseph, Francisco José de Sousa Quando eu me for, Dispenso as sentinelas mórbidas e os rituais fúnebres, Prefiro outro tipo de espetáculo Menos estético e abstrato e mais concreto. Prefiro algo mais minimalista: tosco. Quando eu me for, Dispenso as velas de chamas mornas e flores, Prefiro outro tipo de iluminação E aromas mais refinados, duráveis, brilhantes e intensos. Prefiro algo menos óbvio: neon. … Continuar lendo Quando eu me for

O passado

Às vezes me procuro e já não me encontro mais.Tento recorrer ao passado, mas sou bloqueado pelo agora.Busco me reconectar ao que também foi belo.Então, percebo que não existe mais. Não guardei!Não arquivei!Não memorizei!Não zelei! Porém, sei que foi vivido.Pois, ainda sinto o cheiro da nossa parede de barro.O pote secava, mas logo era cheio de novo.Nossa mesa era grande: chão da cozinha. Aonde vim … Continuar lendo O passado

Não-oração

Sobra tudo aquilo que ainda falta  Temperado pela lágrima contida  Num estado de timidez Enfrentei O final que eu não quis Mercúrio não adiantou Vênus e Marte colidiram Aos astros Peço para que não retornes Porque mudei de caminho Eu não oro por uma direção Esperei Como se o momento certo existisse Tentei nomear  Quando outrora não era classificável Fui avisada Uma caixa de pandora … Continuar lendo Não-oração

Pode beijar

Beije – me,Pode beijar…Não um daqueles beijos fúnebresde lábios tremidos, boca seca,sem entrega… Não quero um desses beijos nervosos,roubados, sem emoção oucontidos. Não desejo beijos vagos,sem volúpia ou êxtases.Se queres me beijar?Beije-me,Pode beijar-me… Mas preciso de um beijo daqueles novelescoscom mordidelas, paixão e afagos.Um beijo ardente,escandalizador, sem moralidades,libidinoso por si só…cheio de décimas terceiras intenções. Quero um beijo molhado,de despedida,mas não como se fosse o … Continuar lendo Pode beijar