Morgana e o enigma da caixa

Todas as vezes que eu me sinto confusa, corro para o parque e sento no último banquinho de concreto, é o mais isolado e dá uma bela visão para o restante do espaço. Daqui a três dias completarei dezoito anos, e o roteiro que imaginei durante toda a minha vida encerrava aos dezessete. Minha melhor amiga, a Laura, diz que é normal ficar apreensiva mas … Continuar lendo Morgana e o enigma da caixa

Tattoo

O ano era 2013. Lembro quando acordamos naquele domingo de ensaio. Ele me encarou depois de um beijo de “bom dia” e disse: – Quero fazer uma tattoo. Fiquei ali, estático por uns segundos, sem entender direito o porquê daquele desejo repentino, do nada mesmo. Sorrindo, respondi com uma pergunta: – Tem certeza? Ele fez que “sim” com a cabeça. Tomamos café e fomos ao … Continuar lendo Tattoo

BATOM

O beijei bem forte. Suguei sua língua, borrei seu rosto e o abracei. Vi que ficou um pouco de batom na blusa, à altura do ombro. Pouco me importei. Era a despedida. Desabotoei o vestido que escorregou pelas minhas curvas chegando ao tapete. Ele tirou cinto, sapatos, meias e a blusa manchada. Rapidamente abriu o zíper da calça. Com a boca avermelhada, disse que queria … Continuar lendo BATOM

AMNÉSIA

Eu acordei, puxando o ar como se tivesse acabado de subir à tona de um mergulho. Agarrei com força as primeiras coisas que minhas mãos desesperadas puderam achar, que eram o colchão e o cobertor do leito. Devagar, um quarto branco entrou em foco na minha visão. — Bom dia. — disse um homem, de jaleco igualmente branco. — Como se sente? — Confusa. — … Continuar lendo AMNÉSIA

A filha que eu fui

Eram sete horas da noite de sexta-feira, eu estava em meu quarto esperando que mamãe chamasse para o jantar, o que era estranho já que tudo sempre ficava pronto às seis. Resolvi ir até a cozinha, escutando a voz alterada de papai enquanto gritava com a mulher baixinha que ele costumava abraçar. Mas isso foi há muito tempo, tempo que eles não lembram mais.  Eu … Continuar lendo A filha que eu fui

O filho da Chica Bêba

Uma fofoca gostosa de se ler Iii, lá vem a Chica Bêba – disse o Seu Zé da Bacurinha. Essa mulher não tem jeito mesmo – completou Socorro da Butique, enquanto saía da vendinha do Zé da Bacurinha, depois de uma demorada compra detrás das prateleiras. E ela foi subindo e sumindo no Alto do Barro, toda descabelada e tonta, de longe dava para sentir … Continuar lendo O filho da Chica Bêba

Ritual de Passagem

Eu não sabia mais o que fazer para tentar passar sem que as pessoas no fundo do jardim me notassem, já que minhas roupas não facilitavam. Usava um paletó azul-claro tendendo ao violeta, calça e camisa das mesmas cores em conjunto com uma espécie de chapéu-cartola. Detalhe para a gravata vermelha, semelhante a cor do sangue que se espalhava pelos meus braços, manchando a roupa … Continuar lendo Ritual de Passagem