A princesa do papai

Leia o capítulo anterior: “Não me encaixo“.

No dia seguinte Karen acordou ficou horas olhando para o teto levantou, foi até o espelho e se viu descabelada, abriu a geladeira, mas dentro só havia uma geleia e água. Karen comeu a geleia e depois se deitou novamente em sua cama. Deu 18 horas e Karen se lembrou do jantar que sua mãe comentou.

-Tenho que ir ao jantar na casa dos meus pais com o Cláudio, que saco!

Ela se levantou e foi até o banheiro ligar o chuveiro. A água caía em seu corpo enquanto, Karen estava aos prantos. Caiu chorando no chão do banheiro, depois levanta… 

Karen procura no guarda roupa seu vestido vermelho, põe seu colar e brinco de esmeraldas, passa um batom discreto, põe seu salto preto, pega a chave de seu carro e sai. 

Quando chega em frente a casa de seus pais, permanece por alguns minutos dentro de seu carro, respira fundo e sai, tenta fingir um sorriso e toca a campainha. 

-Filhinha é você! Chegou cedo! – Falou sua mãe. 

-Olha só a princesa do papai! Você está incrível! – Disse seu pai.

-E aí magrela, você está gatona hein. – Disse seu irmão. 

O pai de Karen era conhecido por ser um cara solidário, que fazia obras de caridade, fiel a esposa e trabalhador. Sua mãe  era uma mulher vaidosa que parecia amar muito o seu marido. Já seu irmão, um rapaz de 18 anos que fazia faculdade de medicina, era bastante estudioso. 

Karen tinha 22 anos, era boa filha, sempre a melhor em tudo, fez faculdade de arquitetura e era a melhor em sua profissão, fazia tudo por seus pais e o irmão. Ela morava sozinha em seu

apartamento, mas sustentava sua família, bancava a pequena empresa de seu pai, a vaidade de sua mãe e a faculdade do seu irmão. 

-Filha, aproveitando que você está aqui, será que você não poderia me dar um dinheiro, estou precisando comprar umas roupas novas. – Disse sua mãe. 

Karen sem jeito de contar para os seus pais que havia saído de seu emprego, sacou um cheque e deu a sua mãe. 

Seu pai então se aproximou e disse: 

-Filha, o padre Luiz está fazendo uma reforma no templo da igreja, será que você não tem dinheiro pra que eu possa ajudá-lo? É só 5.000. – Karen então fez um cheque. 

-Maninha preciso pagar a mensalidade da faculdade esse mês. – Karen então fez outro cheque. 

Cláudio então chega. 

-Olha um carro chegou aí! – Disse sua mãe. 

-Deve ser o Cláudio. – Disse seu pai olhando da janela. 

-Nossa, que carrão. – Disse irmão 

-Vamos filha, ajusta sua postura, você está séria demais. – A mãe comentou.

Claudio então bate à porta. 

-Olá Cláudio, Karen e nós estávamos te esperando! – Disse o pai.

-Olá Karen nossa você tá linda! – Disse Cláudio olhando Karen de cima para baixo. 

Todos sentam à mesa. 

-E aí como estão os negócios? – Falou o pai de Karen. 

-Cada vez melhor, abri uma nova filial da empresa nos EUA. – Disse Cláudio. – E aí Victor, como vai a faculdade? – Perguntou ao irmão de Karen. 

-Está tudo ótimo! 

A mãe de Karen fala: 

-Meu bebê está indo muito bem, vai ser um grande doutor!

-E você Karen como está na Dank? – Perguntou o homem.

-Tudo ótimo, disse Karen um pouco nervosa, mas ninguém percebeu. A atenção de seus pais estava voltada para o mais novo. 

Ninguém percebia que Karen vivia um turbilhão por dentro, Karen sempre fingiu que estava tudo bem, enquanto se acabava em antidepressivos, seus pais estavam preocupados demais consigo mesmo. 

– Então gostaria de comunicar a todos o motivo que marquei o jantar com vocês. Como todos sabem tenho muitos negócios e preciso de alguém do meu lado para me ajudar. Vocês sabem que eu sempre fui louco por Karen, até temos um namorico, mas quero assumir isso. Karen, quero pedir sua mão em casamento, você aceita se casar comigo? 

Karen então fica em silêncio e pálida. 

-Karen então o que me diz? Karen… acho que ela está cansada, trabalha muito, mas tenho certeza que vai aceitar. – Disse seu pai. 

-Tudo bem, eu aguardo. Acho que já vou indo, preciso ir trabalhar amanhã cedo. Cláudio foi embora… 

-Filha, o que deu em você? – Disse sua mãe. 

-Eu pedi demissão! – Disse Karen. 

-O quê? – Disse seu pai. 

-Pedi demissão da Dank. 

-Você ficou louca! – Disse seu pai. 

-Como vamos nos manter? Quem vai me ajudar a manter a empresa de doces. Você paga o aluguel. – Disse seu pai 

-Minha faculdade de medicina eu preciso concluir! 

-Como eu vou pagar a Lúcia a nossa empregada? 

Karen abaixou a cabeça sentada no sofá sem dizer uma palavra.

-Só temos um jeito de não ficarmos pobres, e é com você se casando com Cláudio. – Disse o pai. 

-Minha filha, ele é rico, não seja ingrata. Vai deixar seus pais passarem necessidade? – Disse sua mãe. 

-Como você é burra garota! – Disse seu irmão. – Por que foi se demitir?

Karen sai correndo até seu carro sem dizer nada e vai embora chorando.

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