PANDEMIA DA COVID-19: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA 2020-2021

Por Thátyla Lourenço

Março de 2020. O despertador do celular toca, acordo, faço uma oração, levanto, arrumo a cama, e então, começa a correria do dia. Banho. Roupas. Café da manhã. Carinho de despedida. Sair de casa. Ônibus. Trabalho. Almoço. Amigos. Faculdade. Jantar. Risadas. Voltar para casa. Carinho de reencontro. Dormir. Ufa! Amanhã tudo de novo. Ou não.

De repente, a rotina acelerada foi desacelerando até quase parar, o despertador não precisaria tocar tão cedo, não haveria o carinho da despedida porque o encontro familiar continuaria, enquanto os demais encontros e o cumprimento das responsabilidades seriam virtuais. 

No início, pareciam dias de férias antecipada, um descanso merecido. Eu nem lembrava a última vez que eu tinha me permitido um dia de descanso, um dia sem fazer “nada” de produtivo, ou seja, que não tivesse um retorno financeiro. E você lembra a última vez que se permitiu um descanso?!

E os dias foram passando, decretos de 15 dias passaram a serem mais longos, a sensação de calmaria deu o lugar a uma angústia intensa, ao medo de se infectar com o vírus, de contaminar o ambiente familiar, de perder um ente querido, de morrer ou adoecer e deixar os entes queridos tristes e preocupados. 

Além disso, havia a preocupação com os demais, aqueles que eu nem conhecia, os que já estavam presentes nas estatísticas como casos de infectados, ou até mesmo de mortes. Para mim a dor era coletiva, e a partir disto comecei a refletir se essa análise era universal, se as pessoas estariam sentindo o mesmo, ou o egocentrismo, a indiferença, e o individualismo tomariam a frente. E tomaram. Entretanto, a solidariedade também se fez presente, o companheirismo de uma boa vizinhança, a famosa empatia e o altruísmo entraram em cena.

Sobre as amizades, algumas delas se fortificaram mesmo à distância, outras se mostraram frágeis sem o encontro diário. A lembrança de momentos compartilhados fez surgir a saudade, e as conversas, os encontros virtuais se fizeram necessários.

Apesar de tudo, me sinto privilegiada por está bem, por minha família, amigos/as estarem bem. As estatísticas vieram mostrando que nem todos tiveram essa possibilidade, os números de mortes são altos, milhares de pessoas ficaram devastadas com a partida dos entes queridos. Logo, a grande benção desses quase últimos dois anos é está viva, com saúde, e ao lado daqueles/as que tanto amo. Mas sentindo o pesar por aqueles/as que não estão nessas condições.

As dinâmicas sociais mudaram/estão mudando, os efeitos desse período pandêmico caíram/caem de formas desiguais sobre os indivíduos, e os impactos dessa pandemia do covid-19 irão se perpetuar por muito tempo. Como diz Lulu Santos na música “Como uma onda” – “Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia […] Tudo que se vê não é igual ao que a gente viu há um segundo, tudo muda o tempo todo no mundo”.

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