No sigilo é melhor

“Vamo ficar só no sigilo, viu!? É melhor, pra ninguém estragar”.

Ele disse isso como que para me manter interessada e iludida, crendo que nosso lance era único e verdadeiro. A real é que ele não queria estragar os seus outros esquemas. Pra isso, tinha que me fazer de trouxa como fazia com as outras. E eu, boba, ingênua e ridiculamente envolvida, caí naquele papinho. Otária!

No início foi tudo bem romântico. Encontros casuais ou marcados, beijos suculentos e pegadas fortes. Vez por outra uma declaração no whats, mas nada que pudesse nos fazer assumir. E não vou mentir: eu gostava sim, daquele joguinho. Pra ser bem sincera, eu tava só tentando me enganar, fingindo não sentir nada só pra proteger meu coração calejado de tanta decepção, me esquivando de quebrar de novo essa cara rachada de tanta cilada amorosa.

Eu aceitei o sigilo como parte de um plano só nosso, mas tudo não passava de uma armação. Ele queria manter o nosso fica de pé tanto quanto os outros. Até que um dia, me dando conta da situação, rasguei o verbo, violei as regras do segredinho tosco sugerido por aquele malandro cheio de contatinhos e nenhuma conexão verdadeira.

Quando descobri quem eram as outras (algumas até minhas amigas de rolê) mandei mensagem, liguei e contei a minha parte, ao passo que ouvia os relatos idênticos ao meu. Marcamos um encontro com ele. Todas ao mesmo tempo, para fazer uma quebra de sigilo, de frente pra ele. Imagina no que deu…

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