PARANÓICA

Me chamo Marcela, tenho 22 anos, ainda moro com meus pais e já tive três relacionamentos sérios. Na verdade a palavra “sério” soa como piada, por que foi tudo palhaçada! Confesso que estraguei os três. Sim, por que minha insegurança se sobressai a qualquer sentimento de confiabilidade. Embora eu faça psicologia, até hoje não me entendo, nem entendo ninguém. Enfim… a hipocrisia. Não me pergunte por que escolhi cursar isso… eu também não sei.

Pedro, meu último namorado, era um cara bacana, dedicado e bem comprometido com a gente, mas eu não conseguia conciliar sua honestidade com minha paranóia. Ele até podia ser o tipo fiel, que respeita e tudo, mas eu não acredito na perfeição de ninguém. Ainda mais num mundo como esse em que tudo tá fácil e rápido. Com a internet, os bate-papos andam superlotados de cantadas, nudes e falta de respeito com as pessoas comprometidas. O diabo invadiu o plano cibernético e taí, acabando com o casamento alheio e botando o povo pra trepar sem nenhuma culpa. A galera não tá nem aí se você é solteira ou não. Dão em cima descaradamente. Eu sou prova viva disso. Vez por outra chega notificação no meu insta. Vou olhar, é foto de pau duro no direct. Eu fico pensando: “o Pedro, com certeza, recebe um monte de xereca no direct também!”

Namorar pra mim nunca foi algo fácil, por que minha ansiedade, bipolaridade e desconfiança-sem-fim sempre atrapalharam qualquer plano meu de ser serena, tranquila, aquela mocinha padrão que entende o cara, não sente ciúmes e tal. O caralho! Eu sou tão desequilibrada que o Pedro só precisava olhar pro lado pra eu achar que tinha outra na jogada. E quando eu tava só, e ele não dava sinal de vida, ficava martelando na cabeça onde ele poderia estar, com quem, fazendo o quê. Imaginava ele na cama fodendo qualquer uma, aff! Eu tinha ciúme até do fato dele estar bem com outras pessoas, dele estar sorrindo, feliz sem a minha presença. Isso pra mim também era traição!!! Eu sufoco demais, né, eu sei…

Pois é Doutor, perdão pelo desabafo. Essa é minha primeira sessão, mas eu precisava falar, sabe… e não sei o que fazer. O senhor vai passar algum remédio pra mim?

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