Despedida: “- Tudo bem.”

Ah, se tu soubesses o quão injusto foi teu pedido. Não, foi mais uma sentença, veio do nada, transformou meus planos em nada e, do nada, sumiu com o chão abaixo dos meus pés. Eu esperava que isso fosse acontecer, não estávamos bem havia um bom tempo, o teu sorriso não tinha a mesma cor de antes, o calor dos nossos corpos não era o mesmo, a saudade pra te ver diminuía a cada semana, mas não imaginei que seria tão… Doloroso.

– A gente precisa terminar.

Não foi nem um “eu quero”, “talvez devêssemos”, não, foi um “precisamos”, falou de um jeito que evitava qualquer tentativa de negociação de minha parte, era um ultimato, parecia que você já tinha revivido esse momento tantas vezes, que teus olhos não tinham brilho, estavam frios, tal como tuas palavras.

Meu Deus, como eu quis chorar, como me faltavam forças para ficar de pé, como o meu maior desejo era correr pro meu refúgio, que são teus bra-… Que eram teus braços, eu só queria chorar, chorar o suficiente para te fazer repensar e decidir tentar outra vez, mas eu só consegui dizer a única coisa que me era possível naquele momento:

– Tudo bem.

Sim, um “tudo bem” frio, morto, opaco, como se eu não fizesse questão. Como se você fosse insignificante.

E eu não sei porque eu falei isso, e o que mais me assusta foi a naturalidade que isso saiu, e, naquele instante, eu senti tua voz vacilar, senti, finalmente, a vontade de voltar atrás, mas tu já tinhas ido tão longe, não tinha mais como voltar, né? Tu estavas pronta para tudo, menos pra indiferença, uma indiferença tão opressora que, no seu lugar, eu também me questionaria se, em algum momento, eu já fui importante pra ti.

Eu só queria te dar um último beijo, um último abraço, um abraço capaz de juntar, ou tentar aproximar, os pedaços do teu coração que eu parti, de dar uma última noite, uma noite que eu sempre te prometi e não cheguei a cumprir, queria ser o teu companheiro, uma última vez, mas o que saiu da minha boca não era nada do que você esperava, nem eu esperava por isso.

“Boa noite” e uma virada de costa sem nem te dar a chance de responder. Eu sei, eu não fui bom, nem perto disso, eu te feri de um jeito que vai demorar muito para cicatrizar, nem vai ser fácil, eu queria estar presente para ajudar, queria tentar fazer o processo ser menos doloroso, mas minha presença não ia ajudar em nada.

Se algum dia eu pudesse te falar como meu coração se sentiu naquele dia, seria um: – Eu te amo, espero que você seja feliz do jeito que, nos meus mais profundos desejos, eu quis que tu fosse.

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