O des(canto) do (sonh)ar

por Azevedo Netto

De tanto beber da realidade,
nos embriagamos com a dor.
De tanto sofrer por realidade,
nos afligimos sem pudor.

De tanto lutar por algo,
naufragamos sem rumor.
De tanto sofrermos por sonhos,
saciamos com o amor.

Um amor tão passageiro
que escorre pelas mãos.
Como os ventos envaidecidos
que vislumbram o horizonte da imensidão.

E assim, eis que surge a sina,
e com ela a ilusão.
Nos jogamos nos desejos,
que por vezes tornam-se vãos.

Por fim, vou caminhando,
dando um passo de cada vez.
Mas com o corpo despencando
nas lamúrias do meu ser.

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