Retrovisor

Um pré-carnaval, parecido como todos outros, amantes conectados, olhares de mil faces e um barulho absurdo na própria inocência que carregava dentro de si. Acreditamos que só nos perdemos quando enfrentamos a maré. Os refletores não conseguiam mirar no ponto comum das estrelas daquela história. Dois corações encontram-se, batem na mesma sintonia, mas a boca acostumada a não dizer o que sentia, continuava evitando dizer algo. Ele medroso demais, temia ser enjaulado como via seus amigos esquecidos em relações doentias. Nunca soube demonstrar interesse e acabava correndo atrás da flecha quando lançada. Não entendia que aquela teria coragem de nadar nas águas que temia tanto.

A moça, vestida compulsivamente com uma fantasia colorida, escondia sua real intenção. A vontade era dar a meia volta e correr para lugar mais calmo que lhe pertencia, seu quarto. Mas conseguia manter a farsa com seus olhares misteriosos tentando dar o bote em algum, cara engraçado, os motivos eram sempre ir contra a multidão e afoga-se em seus próprios desejos.

Dois assustados, que possuía a maior habilidade de afasta-se quem lhe olhavam com a calmaria de quem ver o pôr do sol. Só mais uma noite que parecia que importava mesmo era manter o copo sempre cheio, mas o porre mais forte seria entre eles. Quando os olhos dos dois se cruzaram uma bela de uma sintonia aconteceu, conversas sem sentido que fazia o maior sentido, risadas que demonstrava uma intimidade maior a cada pausa entre berros de estranhos bêbados ao redor. Não podemos julgar as conexões de alma que acontecem em lugares assim. Uma ilha, é uma ilha e não importa de que ângulo você está olhando.

Horas passando e a pretensão de sentirem sozinhos aumentavam. Escolheram então vagar pelas ruas e objetivo não era acertar o sentido da direção. Talvez batia o medo de perder a sensação de sentisse vivo olhando dentro do outro.

O escritor é só um retrovisor que observa os movimentos que ocorrem por trás. Neste momento, ela expressa com suas próprias palavras o que fez realmente morada.

Estávamos caminhando na ponte e ele quis subir no meio fio e deu um frio na minha espinha e puxei dizendo “ei não faz isso” e ele me olhou e perguntou:

— Você teria medo de me perder? Ele parou na minha frente, como se fosse a pergunta mais importante da vida.
— O mundo perderia tanto se você não tivesse aqui. E não queria pensar na possibilidade de você não está no mesmo plano que o meu.
— E nos planos?
— Isso, precisa saber se você que estar ou permanecer?
— Como assim? Um sorriso de canto, confuso
— Estar é momento, permanecer é dias a mais.

Então, ele segurou minha mão e continuamos a dar passos, parecia que sabíamos para aonde ir.

Amanhecia a pessoa que acreditavam que nunca mais iria sentir algo tão forte quanto o que sentiu anos atrás. Não tenha medo disse para si mesma quando segurou na mão dele e foi…

Acordou feliz por ser amada e mesmo sabendo que aquilo poderiam não se repetir. Mas ela quer viver e saber que as horas que já perdeu com tantos outros, uma hora irá valer à pena com alguém. Ela não quis pegar o número e nem o coração. Ela quis sentir — e sentiu. Sem pudor, sem mentiras, sem passado.

Ela atentamente, olhou para o teto e disse:
— Não, eu não quero viver um grande amor. Mas se acontecesse talvez eu valorizasse tanto quanto valorizo as estrelas.

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