FAZ MUITO TEMPO QUE NÃO ESCREVO

Há muito tempo não escrevo, nem uma linha sequer de qualquer texto que seja, me comuniquei esses dois últimos meses apenas por mímicas e emojis fazendo com que todos meus amigos e família ficassem analisando duas possibilidades: uma na qual eu desaprendera a escrever e agora estaria na fase pré-escrita ou em um cativeiro, nessa suposição eles conversariam com meu carcereiro que seria uma pessoa versadíssima na linguagem top.

Queria poder dizer que essa linguagem de muitas onomatopeias, fotos da Gretchen e bolinhas amarelas sorrindo eram um experimento ou um ato artístico intencional mas não eram, eles eram apenas a tradução de um cansaço mesmo. Uma preguiça enorme do tamanho do mundo de falar, de estabelecer uma conversa com quem quer que seja, uma vontade de rodar e rodar em torno de si cada vez mais rápido até criar um redemoinho e sumir com aquele efeito de estrelinha brilhando e PLIM! sumiu.

Mas eu não sumi e não foi por falta de tentativa e muito menos vontade, foi por não conseguir mesmo, o máximo que consegui foi me afastar por uns tempos e nesse afastamento eu deixei de fazer tudo, fui ficando no espaço por ficar, a casca vazia decorando a lateral do ambiente enquanto o dono passeava lá fora com uma vontade imensa de não mais voltar. Mas eu voltei, voltei e sigo pensando em como é ficar lá fora, sofrendo para voltar ao que fazia antes de sair.

As ideias sobre textos, temas que eu poderia escrever aqui vêm e vão, igual a uma gota de água que cai no asfalto no meio dia: antes de chegar no chão ela já sumiu, evaporou. Difícil vontade de dizer algo a vocês (apesar de desacreditar na existência de leitores daquilo que escrevo, sim, eu sou o homem de pouca fé) mas têm que dizer, tem que falar, sumir e se esconder não é uma decisão boa a longo prazo.

Não é intenção minha criar um diário nessa coluna, mas não consigo me ver escrevendo no momento sobre algo que não saia do meu universo interior, um espelho egocêntrico que fica guardado dentro da minha barriga e absorve a luz do que vem de fora, sugando aquilo que estiver ao seu alcance e que lhe agrade numa sanha predatória. Mas o espelho além de ser egoísta e querer tudo pra si é caprichoso, só solta a luz quando quer, ainda não consigo entender os critérios que regem esse evento, até agora só me dei conta do ocorrido.

Então deixo aqui minha mensagem final. De que não consigo escrever coisas que não partem de mim, escrevo para entender, colocar ordem nas ideias vazias e quebradas que acontecem durante o dia, e depois dessa constatação eu só consigo dar graças a deus pelo mundo ser vasto e cheio de gente que consegue olhar além do próprio umbigo.

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