VESTÍGIOS HISTÓRICOS DA PRESENÇA INDÍGENA EM TRAIRI, LITORAL OESTE CEARENSE

Antonio Juscelino Barbosa dos Santos
Mestrando em Ensino de História- URCA, Juscelino_13@hotmail.com.
Fábia Janaína Marciel da Silva
Mestranda em Ensino de História- URCA, janainamarcie@gmail.com.

RESUMO
Trairi está localizado á 124 km da capital Fortaleza, no litoral oeste cearense, seu nome, do indígena significa “rio de traíras”. Dos povos originários que habitaram o litoral cearense, os caçadores-coletores-pescadores holocênicos surgiram em meados da última grande mudança climática. Diante de uma maior diversidade de recursos esses grupos assentaram-se próximo a lagoas e rios, onde promoviam a caça e a pesca de pequenos animais, coleta de frutos e também de moluscos que habitavam esses corpos d’água. Desse modo o trabalho tem como objetivo investigar os vestígios históricos da presença indígena no município de Trairi, evidenciando suas contribuições na formação sociocultural do trairiense. Há muitas inconsistências quando nos deparamos com as informações disponíveis na historiografia acerca dos grupos que ocuparam esse território, desejamos traçar uma narrativa aliada aos estudos arqueológicos.
Palavras-chave: Historiografia. História. Arqueologia. Presença Indígena. Trairi – Ce.

INTRODUÇÃO
Segundo Aranha (1996, p. 17) “o homem ‘reconstrói’ a história a partir de seu presente, e cada novo fato o faz reinterpretar experiência passada”. Sendo assim, a história pertence a determinado lugar e época, e ajuda na percepção- compreensão – ação de um passado que foi vivido. Nesse sentido, o presente resumo expandido tema enquanto objetivo investigar na historiografia, vestígios históricos da presença indígena de ocupação territorial no espaço onde atualmente está localizado o município de Trairi no Ceará. Para tanto lança mão de pesquisas nas áreas da História, Geografia e Antropologia para alcançar tal objetivo.

METODOLOGIA
O presente trabalho é uma pesquisa bibliográfica de cunho qualitativo e pretende realizar o levantamento bibliográfico acerca dos povos indígenas que se estabeleceram no território trairiense. Conforme Oliveira (1999) a pesquisa bibliográfica tem por finalidade conhecer diferentes formas de contribuições científicas que se realizam sobre determinado assunto ou fenômeno. Para coleta de dados foi feito um levantamento preliminar de artigos sobre o tema bem como realizado pesquisas bibliográficas utilizando-se o banco de dados contidos, principalmente, na plataforma do Google Acadêmico, livros e periódicos que abraçam as áreas já citadas.

DISCUSSÃO E RESULTADOS
A zona costeira cearense teve seu processo de ocupação caracterizado, basicamente por três fatores: a relação dos indígenas com a terra; o avanço da colonização e a expulsão dos nativos para áreas mais interioranas, e após o inicio do processo de extermínio étnico-social, a apropriação do território, seguido da produção agrícola e pecuarista, vinculada à concessão de sesmarias em toda a costa (SOUZA etal., 2007). Segundo Dantas etal. (2000), os pescadores dominavam a região das praias e sua ligação com as características indígenas, pautavam os aspectos sociais dos habitantes cearenses, no processo de ocupação da zona costeira ao longo da história. Para Nobre (2013) há ainda muitas incoerências no que se refere aos povos que habitaram esta região pela multiplicidade de relatos, desde distintas denominações para os mesmos grupos até a classificação de vários povos sob a mesma designação. Para Dourado et al (2016, 184):

(…) podemos elencar na região do litoral oeste cearense incluindo a área em que hoje está situado o município do Trairí, a presença de índios de filiação Tupi, Tremembé, Tarairiú e outros de filiação duvidosa, dentre eles os Jaguaribaras, Jaguaruanas e Anacés.

O nome Trahiry ou Trairi, é de origem tupi guarani e significa “rio das traíras”, também chegando a ser denominado de Vila do Livramento, localizado á 124 km da capital Fortaleza, no litoral oeste cearense, tem por limites ao norte o oceano Atlântico, ao sul São Luís do Curú e Tururu, a leste Paraipaba e o rio Trairi e a oeste Itapipoca e o rio Mundaú, seu nome, do indígena significa “rio de traíras”. Segundo Sales (1992, p.28) “em 1608, é que se tem notícias dos primeiros aldeamentos onde hoje é o município de Trairi”. O que é questionável, já que na historiografia tem-se registro de povos indígenas que já habitavam aquele território. Um dos povos que habitaram o litoral cearense foram os Jaguaribaras, segundo Dourado et al (2016, 186) “ se distribuíam pelas terras que iam da margem esquerda do rio Choró, ao rio Mundaú até a serra de Baturité”. Para Dourado et al (2016, 189):

De todos os povos que ocuparam a área em questão, os Tremembés são apontados como os povos cuja presença foi mais contundente. A delimitação do território de ocupação Tremembé é bastante discutida entre os pesquisadores, pois alguns acreditam que ela se estendia por uma vasta área litorânea que ia do atual estado do Maranhão ao Rio Grande do Norte. Sobre isso, Pompeu Sobrinho afirma que “Habitavam os Tremembés as práias e estuários cobertos de mangues dos rios do nordeste do Brasil, desde a foz do rio Gurupí a foz do rio Apodi, isto é, toda a costa dos atuais estados do Maranhão, Piauí e Ceará. Quando os primeiros exploradores europeus perlongaram estas costas, ainda os Tremembés as percorriam na indicada extensão; mas no correr do XVI século essa área de dispersão experimentou um notável retraimento. Os colonizadores na primeira metade do século seguinte sómente encontraram estes indígenas nas praias da baía de S. José no Maranhão à foz do rio Curu, no Ceará” (1951, p. 258).

Assim, a região litorânea oeste cearense foi habitada pelos índios Tremembés, hoje fixados entre Itapipoca e Camocim, mas provavelmente um acordo deu posse aos potiguaras ou pitiguaras, comedores de camarão, expulsos de seus estados de origem, tais como Pernambuco e Paraíba e vindo principalmente do Rio Grande do Norte, cujas terras já haviam sido invadidas pelos portugueses e espanhóis, fazendo com que se alojassem nas terras hoje de Trairi e Paracuru. Eles se misturaram aos tapuias e formaram a grande tribo dos Anacés. Também ocuparam as terras do então São Gonçalo do Amarantes, cujo nome primitivo era Anancetaba, que significa Taba dos Anacés.

CONCLUSÕES PARCIAIS
Portanto, há indícios fortes da presença e ocupação no litoral cearense pelos povos indígenas, sobretudo para a região da costa oeste, onde ainda hoje possui uma densa população de marisqueiras e pescadores tradicionais. A área de entorno do município de Trairi possui forte presença indígena de grupos Tremembés, distribuídos nos municípios de Itarema, Itapipoca e Acaraú; da etnia Anacé em Caucaia e São Gonçalo do Amarante e da comunidade indígena dos Tapebas em Caucaia. Conclui-se que nesta região floresceram os núcleos populacionais que originaram os atuais municípios de Paraipaba, Paracuru, São Gonçalo do Amarante e Trairi. Desse modo, ainda que pouco explorada na historiografia, este estudo, poderia ser melhor aprofundado futuramente.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ARANHA. Maria Lúcia Arruda, História da Educação. São Paulo: Moderna, 1996.


DANTAS, Eustógio Wanderley Correia. O pescador na terra. In: SILVA, José Borzacchiello; CAVALCANTE, Tércia; DANTAS, Eustógio Wanderley Correia. (Org.). Ceará: um novo olhar geográfico. 2ª ed. Fortaleza: Edições Demócrito Rocha, 2007. p.264-279.

DOURADO, Everaldo G. et al. Dunas, grupos ceramistas e exploração de recursos: hipóteses para a ocupação na praia de Flecheiras, em Trairi-Ce. EDIÇÃO SEMESTRAL, p. 178, 2016.


NOBRE, João Nilo de S. Memória social e espacialidade de grupos ceramistas em Trairi, CE. Dissertação de Mestrado (Programa de Pós-graduação em Arqueologia) – Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2013.


OLIVEIRA, Silvio Luiz de. Tratado de metodologia científica: projetos de pesquisas, TGI, TCC, monografias, dissertações e teses. Pioneira, 1999.


OLIVEIRA, Victor Hugo Holanda. Gestão integrada da zona costeira como subsídio ao planejamento e ordenamento territorial de Flecheiras, Trairi, Ceará. 2019.


SALES, Maria Pia. HISTÓRIA DE MINHA TERRA – como nasceu Trairi. Fortaleza: Ed. LCR, 1992.


SOUZA, Marcos José Nogueira de. Bases naturais e esboço do zoneamento geaombiental do Estado do Ceará. In: SOUZA, Marcos José Nogueira de; MORAIS, Jader Onofre de; LIMA, Luiz Cruz. Compartimentação territorial e gestão regional do Ceará. Parte I. Fortaleza: Editora FUNECE, 2000. p. 13-98.

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