QUANDO PRECISEI DIZER ADEUS

Caminhei longos períodos entre a solidão e o teu amor. Perdi os olhares, as camisetas, a necessidade dos seus toques. Sempre quis gritar ao mundo sobre o que sentia, mas imaginava que ninguém entenderia. Pois parecia tão certo está em seus braços, compartilhar as mágoas, dividir a macarronada.

Coloquei em replay durante algumas horas “Saudade” do Camelo. Te confesso, a única saudade que bateu foi de mim mesma. Naquele momento de pernas cruzadas observando o mar, eu decidi deixar você ir para outro caminho. Amar também é saber a hora de partir. Me reparti em tantas para me encaixar no seu afago. Sei que me odiaria ainda mais se soubesse que no lugar que houve entrelaço de nós, tragicamente notaria o peso que me causou.

Irônico me rebelar dentro um relacionamento leve, subi pelas escadas ao seu encontro como se fosse cometer o maior crime contemporâneo. O cheiro da cebola quando passei pela sua porta, o barulho da sua TV, os livros bagunçados que prometi te ajudar a organizar. Paralisei como se fosse um poste com a lâmpada quebrada, sem função nenhuma. E nem adianta ligar para ENEL, eles não ligam se a sua rua está escura, meu bem.

Te olhava com a boca seca, as mãos pareciam ocupadas com dinamites, e você me conhecia o suficiente para perceber que estava entalada e precisando dizer algo. Os prédios vistos pela janela pareciam está em movimento, a fumaça seguia seu caminho como um cachorro pedindo comida. Sentei por tamanha tontura, algumas lágrimas sugiram sem ao menos mencionar o que tinha me levado ali.

Você gostava de afirmar que quando eu quisesse dizer adeus você saberia. Meus olhos contariam antes mesmo dos meus lábios conseguisse montar as sílabas certas. Você jogou o vinho que eu odiava contra a parede, ali sentenciou nosso fim.

Saí desesperada, sem chão, mais confusa ainda porque me sentia livre ao mesmo tempo. Egoísta demais pra caber nos sonhos dos outros, frágil pra cacete para esconder-se entre lençóis. Meu pai avisou que seria duro me encaixar, se adaptar na vida de dois. Armei minha rede na varanda erroneamente humana descansei.

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