ESTRELA DE AREIA

− Mas isso tá errado, caralho!

− Rapaz, me desculpe. Mas é a escritura.

− Escritura é o cacete! Vocês que ficam inventando essa caralhada toda pra ferrar a gente aqui. Eu já disse e repito: não vou sair da minha casa.

− A gente vai ter que acionar a justiça se o senhor não quiser sair.

− Pois se vocês quiserem acionar a justiça, vão ter que comprovar a validade da porra dessa escritura de vocês.

− Ela é válida, rapaz. Já lhe falei.

− Pois vocês vão ver. Eu vou provar que essa empresa de vocês aí tá roubando nossas casas, nossas terras, tudo! Bando de cão!

− Eu só tô fazendo minha obrigação.

− A sua obrigação é cheirar o cu daquele outro corno do seu chefe.

− Rapaz, não fale assim não, que vai ser pior pra você.

Jadson encarou o tal homem e disse:

− Se eu morrer, pode ter certeza, que eu não morro mudo.

Jadson saiu fumando uma quenga da fazenda do seu Procópio, o tal chefe, o homem que vinha mandando seus empregados por toda parte de Quixadá, inclusive nos distritos, avisando o povo de cima a baixo sobre a tal da escritura. “Essas terras são do seu Procópio, tá dito e escrito.” O pessoal ficava murcho, com as mãos na cabeça, sem saber o que fazer, pra onde ir. Jadson era mais um dentre os outros que estava ameaçado, mas diferente da maioria, ele não aceitava aquilo. Ele possuía uma escritura também, mas sem saber como, ela se tornou inválida. Jadson chorou, conversou com seu marido sobre o que fazer, como manter a casa que seus pais tinham deixado pra ele. “Meus pais montaram tijolo por tijolo, sofreram para ter essa escritura, fizeram o diabo pra conseguir isso e agora, depois que partiram, me vem um louco querendo me tomar a única coisa que eu tenho!”.

Uma vez, Jadson tomou uma briga com uma senhora no meio da estrada. Ela afirmava que era castigo por ele se deitar com outro homem. Ela chacoalhava o velho terço de tantas novenas na mão e praguejava ao vento sobre o desgosto dos pais de Jadson. “Meus pais nunca tiveram vergonha de mim, sua vaca! Eles me deixaram na casa porque acreditavam em mim, porque me amavam. Você não tem nada com isso.” Jadson ficou puto. “Eles deixaram a casa com pena de uma criatura como você. Mesmo com toda a desgraça, dona Eliza e seu Mauro eram gente muito boa.” Jadson lembrou de como se virou e saiu chorando para casa, apenas para não voar no pescoço daquela velha. Ele sabia que aquilo não era verdade, sabia que os pais dele lhe amavam. Amavam mesmo?

Ele botava força no pedal, acelerava pela trilha até sua casa. Não queria mais saber de ver gente naquele dia, depois de tanto estresse. Queria apenas ficar com Lucas e pronto. E lembrar daquela velha piorou tudo ainda mais. Mal percebeu ele que já era boca da noite e o caminho da volta estava escuro, longe dos poucos postes acesos da trilha que pegava para encurtar o caminho. Também não percebeu o brilho que vinha atrás dele, algo que muita gente tinha visto nos últimos meses. Jadson chorava, porque não sabia o que fazer com sua casa, com suas lembranças. Ele parou de pedalar para se recompor e só sentiu a quentura. A bola de fogo chegava cada vez mais perto e Jadson parecia cegar com todo aquele brilho. Ele não via mais nada além de um punhado de pontos de luz viajando na frente dele, como uma ruma de vagalumes. A bola de fogo se diluía em muitas luzes. Tentou pedalar, mas não conseguia. Os pontos de luz grudavam nas pernas, nos braços, no cabelo. Sua pele negra se iluminava mais e mais. Jadson sentiu seu corpo esquentar e levitar, os pontos de luzes estavam lhe levantando e queimando cada parte da sua derme. Mais alguns minutos e ele era um corpo brilhante que tinha seus gritos sufocados pelo zumbido das luzes. Alguns moradores no final da estrada viram o que estava acontecendo. Correram, mas já era tarde, as luzes tinham levado o rapaz.

− A estrela de areia levou mais um!

Isabel encarava o pequeno ponto brilhante se remexendo dentro do vidro quando ouviu o grito de Seu Juarez. Ela logo viu que a estrela de areia tinha aparecido de novo. A moça saiu do quarto nos fundos de sua casa onde estava entocada, correu para a porta e ao abrir, viu que Lucas, o marido de Jadson, já chorava e gritava na calçada, chacoalhando a bicicleta deixada no meio do caminho e que foi trazida pelos outros moradores depois que o corpo luminoso partiu. Alguns reparavam, pensando como aqueles gritos denunciavam quem era o rapaz.

− Para que esses gritos? É viado mesmo.

− Fica quieta, Márcia. Não sabe sentir a dor de ninguém – Isabel ficou logo puta.

− Deixa de ser tão besta, menina. Tu que se acha a dona da razão.       

− Ah, vai se foder.

Isabel saiu andando em direção a Lucas enquanto a tal Márcia começou a falar alto e esculhambar ela. Estava acostumada.

− Lucas, Lucas.

− Levaram ele, Bel. Levaram. Eu disse que era perigoso ele ir perto de anoitecer, porque é a hora que a bola de fogo aparece.

− Ele foi na fazenda-museu?

− Sim.

Isabel hesitou falar, mas decidiu que era preciso.

− Lucas, eu preciso te falar uma coisa. Preciso de mostrar, na verdade. Vem comigo.

− Bel, agora não. Eu tô muito mal, eu não sei o que fazer.

− Eu quero que você saiba que o Jadson não foi levado por acaso.

Lucas olhou para Isabel, tentando não chorar mais. Ele parecia cessar as lágrimas e buscava algo no olhar da moça.

− Eu tenho algo muito importante para dizer a você, mas eu preciso que você se acalme. Eu sei que é difícil, mas é o que posso oferecer a você: a minha descoberta.

− É sobre o Jadson?

− Vem comigo. Lá em casa, a gente se fala melhor.

Isabel ajudou Lucas a se levantar e os dois foram caminhando, sendo seguidos pelos olhos de todo mundo. “Sinto muito, meu filho”, foi o que o Lucas ouviu de uma velhinha de olhar cabisbaixo. Um grande silêncio invadiu a rua quando os dois amigos entraram na casa de Isabel. Lucas repousou seu corpo na cama do quarto dos fundos onde também estava agora um pequeno dispositivo metálico dentro do vidro, que minutos antes se remexia brilhando intensamente.

− Eu vou buscar uma água para você e vou te contar o que acho que está acontecendo.

Lucas ficou em silêncio sem entender que vidro era aquele. Sua atenção na coisa se dissolveu no momento que lembrou de Jadson e de todos os outros desaparecidos nos últimos meses. “Ninguém voltou. Ele não vai voltar também.” O moço já chorava de novo. Isabel trouxe um copo de água com um comprimido.

− Tome aqui. Eu preciso que você fique calmo para contar o que sei. Se você estiver estressado ou muito alterado, você não entenderá, meu bem.

Mesmo hesitante e em silêncio, Lucas tomou o comprimido. Isabel pediu para que ele se deitasse e relaxasse um pouco enquanto ela preparava as coisas que precisava lhe mostrar. Pediu que ele não se levantasse e ficasse quieto para que realmente se acalmasse. Lucas passou a olhar o teto e em poucos minutos viu que tudo estava embaçando e escurecendo. Sentiu um torpor por todo o corpo, como uma energia líquida que invadia cada fresta de osso e músculo. Sua consciência se diluiu em sono. Quando foi tomado pelo escuro, abriu os olhos rapidamente e se tocou que o quarto estava iluminado. Era dia.

− Bom dia – Isabel recostava o ombro no portal de entrada do quarto enquanto bebia café.

− Eu dormi a noite toda?

− Achei melhor apagar você. Eu sabia que muita gente iria atrás de você para saber de onde o Jadson vinha, o que estava fazendo. Essa gente ama isso. Também sabia que os repórteres viriam atrás de você como vieram atrás dos familiares de todos os outros que desapareceram. A polícia veio também. Eles viram que você estava apagado.

− Obrigado.

− Os repórteres e os policiais saíram daqui mais uma vez crentes que foram os ETs que fizeram isso.

− Mas como assim?

− Você viu esse vidro aqui ontem à noite antes de dormir, né? – Isabel pegou o vidro e remexeu o dispositivo metálico que estava dentro.

− Vi sim.

− Eu peguei ele na noite que a Amanda sumiu. Isso foi há um mês atrás, lembra?

− Lembro sim. Mas o que isso tem a ver com o Jadson, Bel? Ele vai voltar?

− Eu ainda não sei, meu bem, mas vendo todas as outras investigações que não deram em nada e as matérias do jornal daqui culpando sempre ETs, acho que não.

Lucas baixou a cabeça.

− Mas preciso te mostrar as coisas que te falei. Eu arrumei durante a madrugada lá na mesa da cozinha.

Lucas e Isabel saíram do quarto, foram até a cozinha e encararam sobre a mesa uma porção de pedaços de papel com notícias impressas neles.

− Essas são as manchetes de jornal que eu imprimi. Todas as pessoas que sumiram aqui na cidade nos últimos meses. Prucina em janeiro, Dona Cândida em fevereiro, Ailton e Graça quinze dias depois – Isabel suspirou e pegou a última manchete – e Amanda em abril.

− Todos sumiram do mesmo jeito. Engolidos por aquela bola de areia brilhosa.

− E todos sumiram depois de fazerem a mesma coisa. Jadson tinha ido até uma das fazendas do tal Procópio, não é?

− Sim.

Silêncio.

− Você acha que eles foram levados por alguém do Procópio?

− Essa empresa está aqui há quinze anos. Ela comanda toda a produção de turismo daqui: hotéis, circuitos, trilhas de escalada. Eles tomaram tudo aos poucos. Primeiro ganharam a concessão para a produção dos polos de circuitos aéreos, depois os hotéis, as trilhas e até os centros de formação. Todos os últimos prefeitos do município ganharam com o financiamento de campanha da Monolitur S.A. O Procópio investiu todo o dinheiro da família dele espalhado por tudo que é fazenda aqui no sertão, não foi isso?

− Foi. Mas eu ainda não entendi.

− O Procópio virou o braço direito de todo prefeito que entra. Ele domina e controla toda empresa que entra e sai aqui, por toda a ligação que ele tem com a prefeitura. Eles sempre estão na dianteira de tudo, da abertura das festas e cerimônias do município, como o Festival das Luzes do Sertão que aconteceu há dois anos para comemorar o aniversário do município, lembra? As luzes que criavam aquelas figuras no céu.

− Você tá dizendo que aquelas luzes…

− Você percebeu que o número de fazendas da Monolitur usadas para guardar materiais e empregar as pessoas pros museus-fazendas e tudo dobrou nos últimos anos? Você viu como todas as pessoas que tiveram suas casas ameaçadas estão no perímetro do novo museu-fazenda da empresa? Aquele sobre as charqueadas?

− Mas essa fazenda fica do lado de um bairro inteiro.

− Mas ele não vai tomar tudo de uma vez, para não dar bandeira, né? Ele vai pegar a parte mais vulnerável, de gente pobre, que não tem como pagar um advogado que seja, que recebe uma indenização pela metade e se cala. E isso não vai sair no jornal daqui, porque até o jornal pertence a Monolitur.

− Você acha então que a Monolitur sumiu com todo mundo porque eles todos foram reclamar algo? Eles foram mesmo lá para isso?

− Sim, eu peguei informações de cada família que perdeu alguém. Eu não sabia que o Jadson tinha ido lá.

− Nem eu sabia. A gente tinha discutido por isso, porque eu não queria que ele fosse comprar briga com gente grande.

− Ele sumiu quando voltava?

− Eu me deitei e quando acordei, estavam batendo na minha porta, falando sobre a bola de fogo e o Jadson. Quando saí, eu vi apenas a luz de longe. Eu não tenho noção se ele foi até lá ou se estava voltando. Jadson tava muito puto com o pedido de despejo. A indenização era muito baixa e ele queria porque queria tirar satisfação com o pessoal que veio entregar o pedido.

− Todos os outros sumiram depois de irem lá reclamar a mesma coisa. Algumas horas ou dias depois. Mas sumiram e acho que o troço dentro daquele vidro tem a ver com isso.

− Onde tu conseguiu aquilo?

− No dia que a Amanda foi levada, eu já tava desconfiada de tudo isso e eu sabia que ela tinha ido lá na fazenda reclamar. Ameaçou colocar a empresa na justiça. Amanda é minha vizinha, tentei convencer que ela não fosse, mas quando foi, passei a vigiar ela. Eu me sentia vivendo como uma espiã, coisa absurda, sabe? Cheguei a acompanhar ela indo no mercantil. Três dias depois de ela ter ido lá, ela saiu de moto para a casa dos pais. Eu tava voltando do mercadinho com um vidro de azeitona, só peguei a minha bis e segui ela. Acredite, foi a coisa mais impressionante que eu vi. As luzes vieram de trás de uma pedra bem de frente pra Amanda. Agarraram ela. Era muita luz e fumaça. Parecia realmente uma estrela de areia que queimava tudo. Eu vi que tava vindo na minha direção e uma onda de brilho e zumbido vindo, bem baixinho, sabe? Eu peguei o vidro de azeitonas que ainda tava na sacola de compras, derramei tudo no chão e tentei pegar algum dos pontos brilhantes. E consegui. Mas logo as luzes vinham mais e mais e dei a volta com a biz na estrada. Eu pensava que eles queriam me eliminar também, acabar com todas as provas. Eu acelerei desesperada. Aquele corpo brilhoso me seguindo. Parecia que eu ouvia um zunido, uns gritos. Eu acho que era a Amanda pedindo socorro.

Isabel sentou em uma cadeira e não conteve as lágrimas.

− Eu me apavorei, sabe. Eu jurava que eu ia morrer. Então, eu entrei por uma vereda para cortar caminho e chegar logo à cidade. Se me levassem, pelo menos alguém iria me ver gritar quem era o culpado. Mas quando entrei na vereda, o corpo brilhoso seguiu direto.

− Você não seguiu mais?

− Eu não conseguia. Eu tava morrendo de medo.

A moça voltou a chorar e parecia mais desnorteada que Lucas. Os dois amigos se abraçaram soluçando. Eles sentiam o mesmo agora: impotência. Por mais que soubessem o que era, mas eram pequenos, como a pequena luz dentro do vidro, igualmente presos e inquietos.

− A gente precisa enviar isso tudo pra Fortaleza. Se ocorrer uma denúncia assim, os jornais vão vir sem mais procurar ETs, mas pessoas e pessoas importantes. Precisa levar isso para um jornal na capital. Eu pedi anteontem para que meu primo, que estuda no campus da UFC aqui em Quixadá, dar uma olhada no dispositivo e ele me mostrou que dentro daquela coisa tem um mecanismo que emite luz e calor intenso e se move por um sensor. Ele fez um teste quando conseguiu ligar e deu até para queimar uma folha de papel de tanto calor. Disse também que tinha um localizador dentro e chegou a chutar que eles sabiam que eu estava com o dispositivo. Ele disse que é uma tecnologia incrível e igual à que é utilizada para comandar drones. Foi usada no Festival das Luzes, mas isso é nanotecnologia importada, feita no exterior. Deve ser uma fortuna. Ele queria ficar com o dispositivo, mas achei perigoso e pedi para que ele montasse de novo, como estava.

− Por que eles gastariam dinheiro com tecnologia de ponta aqui?

− A Monolitur não é mais apenas sobre Quixadá. Ela virou uma das maiores empresas do país. Se vende como daqui, mas se lança para o mundo todo. Essa é a graça do capital, se vender de um jeito x, mas se comporta como todas as letras do alfabeto. 

− E eles podem usar qualquer história que querem, inclusive a dos ETs.

− Todo mundo por aqui pensa que somos rodeados por ETs. Se tem casos no passado que não atingiram gravemente ninguém, serviram pelo menos para fazer as pessoas acreditarem. Agora elas acreditam e ainda têm medo.

Lucas e Isabel se olhavam e pensavam o tempo todo se aquilo não seria um absurdo de suas cabeças. Teria como aquilo ser verdade?

− Como você não enlouqueceu?

− Não dá pra enlouquecer com coisas que se provam tão concretas e que podem ser explicadas. Agora, se vamos enlouquecer tentando resolver isso, essa é a grande questão.

− Eu não quero brigar contra o mundo.

− O pior é que sabemos que não é o mundo, mas é como se fosse pra gente.

Lucas e Isabel se entreolharam quase sem reação. Não sabiam se estavam realmente lidando com algo real, ou se tudo era apenas uma baita mentira, ou se eram grandes para derrubarem algo grande também, ou se estavam perdendo o juízo. Eles continuaram a se olhar e se perguntando se tinham certeza de algo.  

Um dia depois, Lucas já havia recebido a visita da polícia novamente. Estava acordado dessa vez e não sabia o que dizer. Os policiais foram embora sem resposta ou certeza, assim como estava Lucas. Isabel chegou logo depois arrumada e com uma mochila nas costas.

− Pronto?

Lucas acenou com a cabeça e se levantou. Depois de trocar de roupa, pegou também uma mochila com roupas e voltou para a sala.

− Será que estamos fazendo o certo em levar todo esse material para a capital? A gente só tem manchetes e esse dispositivo.

− O importante é trazer mais gente pra cá, mais pessoas investigando, cobrindo isso aqui. E pessoas que não falem disso tudo como se fosse um milagre cósmico. Isso aqui não pode ser mais um caso tipo João de Deus, que passe décadas sem se fazer nada além de reportagens sobre milagres. Nós não somos os únicos que possuem coisas escondidas, eu sei, eu tenho contatos. Só precisamos que alguém dê o pontapé inicial. A gente precisa ter coragem pra isso. Se a gente não falar…

− Eu sei. A gente morre mudo.

Vinte minutos depois lá estavam eles numa topique rumo à Fortaleza. Era final de tarde quando estavam cruzando o limite de Quixadá e Isabel ouviu um barulho vindo de sua mochila. Ao abrir, ela viu que o pequeno dispositivo metálico estava brilhando e zumbindo. Isabel olhou para Lucas e sussurrou.

− Eles realmente sabem.

A topique começou a tremer inteira e o pessoal se agitou. Uma luz muito forte acompanhada de um zumbido invadiu cada pedaço do veículo. O motorista perdeu o controle e o veículo já inteiramente iluminado saiu da pista e capotou seguidas vezes, atrapalhando o trânsito. Os carros todos parados no meio da pista refletiam a luz que cobria toda a topique e um zumbido ainda maior se instalou por todos os lugares.

Isabel e Lucas gritavam junto com os outros passageiros, mas eles viam os pontos de luz entrarem pelas janelas, encostarem nas pessoas e queimá-las. Eram muitas formas de grito e dor. O calor aumentava mais e mais. Lucas começou a chorar com Isabel.

− Foi assim que todos morreram, Bel.

A topique explodiu. A areia iluminada se recolheu depois da explosão e sumiu pelos ares como milhares de estrelas cadentes. As pessoas na pista que gravaram tudo fizeram os vídeos circularem rapidamente. No dia seguinte, jornais do país inteiro relatavam o grande caso dos ETs de Quixadá. O caso chegou nos Trending Topics horas depois de acontecer. A estrela de areia circulava o mundo e gerava debates em diversos países. Os pontos de luz viajavam o planeta como os grãos do Saara que atravessam o oceano. Será que morreram mudos?


Allan Jonhnatha Sampaio é mestrando em História e Letras (FECLESC/UECE de Quixadá), escritor publicado na 2° Ed. da Mafagafo e membro do Filhas de Avalon, um grupo de estudos de Literatura produzida por mulheres. Alem disso, possui um canal no youtube, no qual fala sobre Ciências Humanas: Literatura, História, Cinema & Filosofia, chamado Humanito.
*Siga Allan

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