Ao amor da minha vida passada

Entrando num estado de consciência e inconsistência entreguei-me a sensação de estar situada no alto de uma colina. Inspirando o ar gélido e retribuindo-o com o calor de meus pensamentos, retornei ao momento em que te olhava penetrantemente nos olhos esperando que entendesse meu pedido, que atendesse a meu chamado… Eu queria ser sua.

O que não compreendia e talvez nem cogitasse, era que para pertencer a algo – porque ninguém a alguém pertence – eu precisava ser, e eu não fui nada além de caos. Hoje, recobrando os sentidos e questionando meu papel nessa tragédia nada romântica, não me reconheço, não por estar perdida, mas porque me encontrei.

Em 24 meses larguei vícios que ninguém além de mim notou, ninguém além de mim parecia me conhecer. A lua que me seguiu por vezes me deixou na escuridão. Mas, fora somente assim que percebi que era o Sol quem brilhava, e que bastava um tanto de coragem e de meus surtos existenciais para finalmente transcender, eu entrara em outra vida.

Meu tom de voz pareceu estabilizar, minha frequência cardíaca tornou-se constante, estou viva, eu sou matéria, eu sou um verso do poema da dor, eu que nada fui agora sou, apenas sou. O pertencimento depois virá, encontro-me na parte do mapa que marca o famoso “x”, não estou longe e não sei o que está perto, mas sei que não é mais o amor da minha vida passada… eu agradeço.

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