Aos quinze

por Beatriz de Sousa

Amo

Uma ousada afirmação

Para quem até outro dia

Dizia sequer saber

O que era isso

De amar

Amo, sim

Sinto no coração

Nas mãos, nos rins

E olhos

E em todas as partes

Que se dizem que o amor

É sentido

Amo e

Quando eu digo

Que a amo

Eu quero dizer

Que gostaria

De tê-la amado

Aos quinze

Quando o amor era bom

E a paixão era quente

Quando as tardes eram claras

E as noites, amigas

Nos amores dos cartões

Das velas e das valsas

Amo esta mulher

E a amo com muito do que tenho

Apenas muito

Pois de tudo, de tudo preciso

Para o futuro

E o trabalho

E aos quinze

Se eu a tivesse amado

Aos quinze

Não haveria futuro

Nem trabalho

No passado, apenas quinze

A cabeça sem vento

E o vento inerte

Teria eu amado

Com muito mais classe

E jeito

Eu teria amado

Com muito mais mundo

Com mais tudo

Exceto amor

Este, desconfio que

Idade nenhuma

Me faria amar com mais

Mas amaria melhor

E mais bonito

Amo

Mas queria ter amado

Aos quinze anos

Ou algo assim

Amar esta mulher aos quinze

Teria me dado mais felicidade

Em tal idade

E aos vinte, eu jamais amaria outro alguém

A ponto de querer voltar

Aos quinze

Para amar de novo

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