Passeio

Um dia normal onde você acorda e se arruma pra fazer o que tem que fazer, suas obrigações já lhe esperam antes mesmo de você compreender o que fará com aquele dia. Não sei se o céu tem nuvens ou que cor ele tem pois tenho que correr para pegar o ônibus antes que ele saia, do contrário vou chegar atrasada, pensar pela manhã não faz meu estilo eu só acordo mesmo depois que chego no trabalho e sento na minha cadeira, antes disso é tudo automático: só presto atenção nas horas mesmo que é pra não atrasar e, se isso acontecer, poder avisar em quanto tempo eu acho que chego.

Enquanto o ônibus segue seu caminho, pessoas entram e poucas saem, apressados, cansados, sonolentos, alguns rostos que não sei dizer que expressão tem e outros levemente alegres assistindo a algo no celular. Meu olhar encontra o de outro passageiro, ele me olha em pergunta: o que há de interessante aqui? Como uma inesperada resposta um passageiro que estava sentado se prepara para descer, imediatamente me movo o mais rápido possível para lá, finalmente um lugar sentado e uma possível resposta para a pergunta de meu companheiro de viagem.

Pela janela lembro que gostava de sair mais cedo da aula para andar na rua as quatro da tarde e ver tudo ser inundado por aquela luz amarela que ia ficando mais suave com o tempo. Hoje mesmo quando em casa não saio mais para a rua a essa hora, geralmente fico deitada na cama vendo um filme bobo ou mesmo vendo fotos de influencers cheias de Botox falando sobre a hora dourada, mas mesmo percebendo como isso não faz sentido, mesmo assim eu não saio mais.

O ônibus segue o itinerário sem nenhum imprevisto, chegarei quinze minutos antes do horário e já penso no que farei com esse tempo, acho que vou checar minhas redes sociais ou ver um vídeo no YouTube, qualquer vídeo mais leve e que não me faça pensar muito pois não quero me cansar agora. Aos poucos o coletivo começa a esvaziar, chegamos ao centro da cidade e na próxima parada descem quase todos os que restaram, eu só desço duas paradas depois.

Penso no que vou fazer no fim de semana, apesar de ser segunda-feira é bom pensar logo agora porquê senão chega o fim de semana e eu não faço nada, mas não posso pensar muito nisso agora senão perco a hora de descer. Perto da chegada o trajeto parece ficar mais lento, se alongar e deixa a gente parada na porta igual uma otária esperando ela abrir. Sinal fechou, bota mais dois minutos para poder descer. Abriu, desce, atravessa a rua e anda mais quatro quarteirões até o trabalho, cheguei, bom dia seu Agenor como o senhor tá? Chegou alguém lá de cima? Já? Então tá aberto né? Vou subir logo então, até mais.

É segunda-feira, oito da manhã e eu já penso o que vou fazer quando sair do trabalho.


Esse conto pode ser ou não o início de uma história, ele também pode ser ou não o nascer de uma personagem, vai depender se ela vai querer falar comigo ou não. Não sei, nesse ponto eu não sei de nada.

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