JÁ FAZEM 84 ANOS…

Sabe eu pensei em escrever sobre velhice e o peso que a idade traz pra gente, especialmente quando se é uma mulher, mas agora nem sei se isso tudo vai fazer sentido, mas vamos tentar mesmo assim porque sou teimosa e creio que devagar é um bom exercício para os tempos que vivemos; o segredo é sair por aí devaneando mas colocar um alarme para não se perder.


Acontece que no próximo ano irei completar a idade oficial da cacurice, e o que pesa nessa data não é nem o fato de estar completando esta idade e sim o fato de ainda não ter o kit que deve acompanhar essa idade: um emprego estável, uma área de estudo fixa e consolidada e claro, para as mulheres tem o adicional de um marido e uma criança.
Me faltam quase todos os itens acima, não penso em ter uma criança nem tenho em vista uma área de estudos que me sinta empolgada a pesquisar e muito menos tenho propostas de emprego em vista. O fato é que a pressão pra ter tudo isso pronto desde já vem na cabeça, especialmente quando se olha as redes sociais dos colegas, sei que a comparação de ninguém com ninguém é válida e recomendo a você que não mantenha esse hábito nada saudável e que não leva a lugar algum. Mas, mesmo sabendo que isso não é um pensamento saudável continuo a fazer, e continuo a formular vários e se.

Não deveria fazer, mas faço.


Ano passado me peguei horas a fio na internet, tentando desesperadamente me manter ativa em coisas que eu nem queria fazer apenas para esquecer que essa situação podre que vivemos (e que alguns estão vivendo de forma mais intensa, força galera) é culpa de certo @ e das @ que fazem de tudo para manter essa situação, não há como ficar bem. Me senti envelhecendo mais e mais a cada dia, e os fios brancos que agora inundam a minha cabeça só aumentaram essa sensação de estar mofando e fazendo nada.

Então eu resolvi sair.

Desde então tenho vivido esses tempos em ondas, um período agindo e me movendo em direção aos objetivos, completar as tarefas, esperança de que as coisas vão dar certo e que em breve vai acabar e em outros me afastando e deixando tudo de lado, pensando se esse esforço todo vale a pena e pensando:

E se tudo acabar amanhã?


Passei exatamente três dias pensando nisso e não cheguei a ponto algum. É uma questão idiota que não leva a lugar algum e só serve pra nos deixar imóveis enquanto o tempo passa e “acumulamos o arrependimento” de não ter feito, caso você também tenha passado por isso, sei que é difícil juntar forças pra fazer o que quer que seja nesses momentos e tudo parece sem graça e sem sabor, tudo se torna cinza e a única coisa que parece certa é ficar deitado na cama, no escuro. Ali você fica calmo, ali você consegue ficar por horas, ou dias até, o que acontece se eu ficar quatro dias deitado na cama?


É fácil deitar e dormir, esperar que as coisas melhorem amanhã, acordar gostando do sol, mas não é o que acontece. A cada dia fica pior e mais pesado ficar em pé, mas eu peço pra que quando as coisas estiverem assim, tente dar um passo: lembrar daquilo que lhe faz feliz, daquilo que você gosta, ande nem que seja até a padaria, tome um banho. Não vai fazer você ficar instantaneamente alegre mas fará a dúvida sair um pouco da sua cabeça, o peso desaparece por alguns instantes e então você pode seguir.

Andar até onde der e quando estiver cansado, parar e continuar de novo.

Talvez não tenha sido conclusiva, acho que não pretendo e nem consigo falar sobre esse assunto de uma forma objetiva, no momento meu objetivo é apenas escrever sobre o que vi e o que sei. Sinta-se a vontade para falar também, por mais doloroso que seja no início, ajuda [um pouco, mas ajuda, bote fé].

Um comentário sobre “JÁ FAZEM 84 ANOS…

  1. Muito afagador ver que tem pessoas que estão enfrentando tudo isso e desenvolvendo suas maneiras de ficar bem e incentivar outros. Eu estou com 26 anos e, exceto pela parte que são específica das mulheres, também me pego muito preso nesse espiral de dúvidas e sentimentos. Que em cada pequena atitude de auto cuidado possamos diminuir esses pesos, afastar essas dúvidas e ser apoio pros nossos e pra nós mesmos.

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