ENSAIO SOBRE A POTÊNCIA NEGRA

Em um desses dias preguiçosos, quando o tédio bate e a chuva faz as pequenas coisas parecerem maiores que a gente costuma ver, acabei esbarrando meio de susto com alguma coisa sobre estrelas no feed de alguma rede social. Por alguma razão, surgiu então na minha mente uma indagação mais específica, cuja linha de raciocínio que me fez chegar até ela já não é tão clara na minha memória. Enfim, decidi pesquisar sobre buracos negros. Descobri que um buraco negro é algo tão denso que suga tudo ao seu redor, não sendo permitido sequer o escape da luz, cuja velocidade é a mais rápida conhecida pelo ser humano. Sem a luz, não é possível para nós, como o leitor deve imaginar, enxergar nada. Mesmo assim, pensei, a sua presença é observável sendo possível inclusive, com algum esforço, fotografá-lo não é ? Mas como enxergar algo que não se vê? O fato, descobri em um vídeo, é que o buraco negro é perceptível na foto não pelo que ele é, mas pelo que não é. Explico: embora que não emita luz, sabe-se que ele esta lá porque a luz de outros objetos que estão atrás dele desenham sua silhueta em sombra. Fiquei com dó, parece ser uma experiência traumática. O pobre astro tem toda sua magnitude, toda sua potência e tudo o que não se sabe sobre, reduzido ao não-ser de outro corpo. Quando muito, o coitado é percebido na sua reação violenta ao engolir uma estrela, ou por força, alterar a orbita de um planeta ou algo assim. Mas é sempre, em algum nível, a encarnação da ausência, é privado de Ser, igual uma estrela É. Só porque, dizem, não tem o que uma estrela tem. Que injustiça. Apesar dos pesares, vi que mesmo no ápice de sua ninguémzice, cada buraco negro é dotado de sua singularidade. Então tentei forçar uma conclusão otimista: envolta de segredos que escapam ao olhar humano em sua totalidade, estas singularidades oferecem à qualquer um que se dedique, potencialmente, as mesmas quantidades de perguntas e respostas que qualquer outro corpo é capaz de oferecer ou quem sabe até mais! E quem sabe um dia, quando humanos construírem as ferramentas que permitam serem mais empáticos, possamos perceber além do negro. Mas fica a pergunta, porque alguém se interessaria por um buraco negro?

4 comentários sobre “ENSAIO SOBRE A POTÊNCIA NEGRA

  1. Que massa essa tua sensibilidade, mano. A impressão que tenho é que quando a gente resolve olhar as coisas sem pressa, tem altas viagens ali pra nos comunicar um monte de coisa, inclusive sobre o que está dentro e a gente só vê quando olha pra fora com outro olhar.

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    1. Bom te ver por aqui amigo. Agradeço o elogio. Realmente, o particular ta toda hora revelando pra gente o universal, as vezes so falta a gente ter um tempinho pra conseguir observar com mais cuidado

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  2. Eita man, que construção narrativa massa. Uma sensibilidade para ver além do que está exposto e além de tudo saber transmitir o que viu cuidadosamente presenteando o leitor com o caminho para entender o que é dito.

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